Seguidores

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A espiritualidade do seguimento


Não resta dúvida: o cerne da espiritualidade cristã está em seguir a Jesus.

No princípio, era o seguidor! Jesus irrompia inesperadamente e dizia: “Segue-me, venha após a mim”. A resposta positiva exigia uma ruptura com a maneira de viver até aquele momento do que aceitava o convite. A vida deveria ser reorganizada. O centro era o mestre e o caminho apontado por ele. Quem aceitava tal convite nos seus termos tornava-se um discípulo. Também, no princípio, existia o simpatizante: aquele que se emocionava com as palavras do Cristo, achava fantásticos os seus milagres, impressionava-se com a originalidade de suas atitudes, nutria enorme curiosidade por encontrá-lo – mas não colocava o pé no caminho. Simpatizava até o ponto de não precisar mudar seu estilo de vida. Tinha admiração, mas não estava interessado na transformação resultante da formação espiritual à qual todos os discípulos viveriam quando resolvessem caminhar o caminho proposto pelo Filho de Deus.

Ainda no princípio, havia o consumidor. Este sequer tinha tempo de ouvir o Senhor; desejava, isso sim, comer o pão e o peixe multiplicados, ansiava pela cura da perna atrofiada, somente tinha interesse em ser restaurado da lepra... Uma vez alcançada a graça, nem sequer lembrava de retornar para agradecer. O discípulo seguia Jesus porque o admirava; o simpatizante admirava sem o seguir, e o consumidor nem seguia e nem admirava, posto que Jesus era apenas um provedor de suas necessidades, e não alguém a apontar-lhe um caminho transformador.

Jesus conviveu indistinta e graciosamente com estes três grupos dentro da multidão que gravitava ao seu redor. Nunca se negou a oferecer caminho aos seguidores, admiração aos simpatizantes e provisão aos consumidores. Todavia, o rabi sabia que os discípulos eram os protagonistas para cumprir sua missão no mundo. Certamente, ele não contava com simpatizantes e consumidores para o estabelecimento do Reino de Deus. Estava certo, como sempre! Nos duzentos anos que se seguiram à sua morte, o pequeno e frágil grupo inicial de discípulos, apaixonado por sua missão, se espalhou por todo Império Romano. Eles haviam sido convocados pessoalmente para seguir um caminho; colocaram o pé na estrada e saíram pelas vilas e cidades com a mesma convocação com que foram convocados: sigamos o seu caminho. Quanto aos simpatizantes e consumidores, não se sabe o que aconteceu com eles. Afinal, quem fez a história foram os discípulos.

Não resta dúvida: o cerne da espiritualidade cristã está em seguir a Jesus. Quando decidimos conscientemente seguir o seu caminho, então a espiritualidade cristã começa a fluir em nós. O Pai, pelo seu Espírito, vai nos transformando na imagem de seu Filho à medida que damos os passos no caminho. Fora do seguimento, não há espiritualidade. Todos nós estamos necessitados de retornar à experiência original dos primeiros discípulos. Sim, nossa carência essencial está em “ver” Jesus de novo surgir em meio à nossa complexa e agitada vida, cheia de cansaço e dores, e sussurrar com ternura e vigor ao nosso coração: “Vem e segue-me!” Quando ele irromper no nosso cotidiano, como aconteceu com os pescadores da Galiléia ou com o coletor de impostos da Judéia, com aquele sedutor olhar a nos convidar a seguir o seu caminho, e largarmos as redes ou a segurança da coletoria, aceitando seu convite, então, experimentaremos real comunhão com o Deus trinitário. Longe do caminho do Filho, não seremos capazes de enxergar a face do Pai e tampouco vivenciar a presença do Espírito. De fato, no cristianismo bíblico, espiritualidade é um mero sinônimo de seguimento.

Se as nossas orações, liturgias, louvores, corais, células, congressos e mensagens não apontam o caminho do Senhor e não convocam o mundo para segui-lo, então, tudo isso pode até ser espiritualidade, mas não é cristã. Se nossas igrejas se tornam fontes de atração para consumidores e admiradores, ao invés de espaços comunitários formadores de discípulos, tenhamos consciência: todos devem ser tratados com graça e amor, como Jesus fez, mas só cumpriremos sua missão no mundo sendo e formando seguidores. Não deveríamos, mas, infelizmente, estamos hoje diante de uma encruzilhada, que por natureza é o entroncamento de dois caminhos. Entrar por um é necessariamente excluir o outro. Ou escolhemos a espiritualidade do entretenimento, que produz simpatizantes e consumidores, ou optamos pela espiritualidade do seguimento, a que gera discípulos. Tenhamos, contudo, uma certeza – desde sempre, Jesus já fez a sua escolha. Basta, apenas, que o imitemos nela.

Eduardo Rosa Pedreira é pastor da Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca, doutor em teologia com ênfase em espiritualidade pela PUC-RJ. É, também, fundador do Renovare Brasil, ministério comprometido com a disseminação e a vivência da Formação Espiritual como sendo um dos principais pilares da igreja cristã brasileira. Site: www.renovare.org.br / E-mail: renovare@renovare.org.br


Fonte: www.cristianismohoje.com.br

quinta-feira, 17 de julho de 2008

FOME DE QUÊ? SEDE DE QUÊ?




“Bem aventuras os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.”
(Mt. 5.6 – NVI)


Você tem fome e sede de justiça? Mas, que tipo de justiça? A sua justiça ou da justiça do Reino de Deus? Felizes os que têm sede e fome da Justiça que tem como base os princípios e os valores da Palavra de Deus.

Nas Bem aventuranças, pregadas por Jesus a uma grande multidão, notamos as características fundamentais dos que se tornaram e daqueles que desejam se tornar cidadãos do Reino de Deus. Não de um Reino unicamente futuro, mas de um Reino que se manifesta na vida daqueles que se submetem ao Senhorio do Grande Rei Jesus. Uma dessas características é ter fome e sede de justiça.

Fome e sede de justiça moral. Diante de um mundo que se destrói por sua própria maldade e que se corrompe cada vez mais por causa do pecado precisamos levantar a nossa voz contra praticas que são contrárias às verdades de Deus. Somos o sal da terra e a luz do mundo que precisa conservar e brilhar em meio ao sistema pecaminoso que impera.

Fome e sede de justiça social. Mesmo vivendo em um sistema social dominado pelo pecado, onde as injustiças e desigualdades se tornam, a cada dia, corriqueiras, devemos lutar por atitudes que valorizem a solidariedade e o altruísmo, onde o outro seja valorizado.

Nossa realidade é marcada por atos que ferem a os princípios morais de Deus e de injustiças sabemos que a nossa esperança esta baseada na promessa daquele que falou: “os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.”.

Não confiamos em uma ideologia fruto de especulações humanas, ou de um sistema econômico revolucionário, mas sim na Pessoa do Mestre Jesus que nos prometeu que iria saciar a nossa fome e sede de justiça.

Que sejamos estes instrumentos pelos quais Deus venha manifestar a Sua justiça ao mundo. Que a nossa oração seja a mesma feita pelo Mestre: “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mt. 6.10 – NVI).



Patrick Cezar da Silva